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Internet para todos

Que a Campus Party está recheada de laptops e aparelhos eletrônicos de última geração, todo mundo sabe. Afinal, trata-se do maior evento de tecnologia e internet do país que reúne, por motivos óbvios, especialistas aficionados por tudo o que envolve o mundo da tecnologia.

A presidenciável também recebeu seu batismo.

A presidenciável também recebeu seu batismo.

Assunto tão discutido nesses últimos dias, a inclusão digital não poderia ficar de fora da programação do evento. Promovido pela ONG Instituto Campus Party e realizada na área aberta ao público, o Projeto Batismo Digital promove aulas de 50 minutos para crianças, jovens e idosos com pouco – ou muitas vezes nenhum – contato com a internet e o computador.

Na ocasião, os participantes aprendem a mexer no mouse até mesmo navegar por sites de relacionamentos populares.  Por dia, cerca de 700 pessoas passam pelo espaço, que conta 70 computadores e 15 oficineiros. Até a senadora Marina Silva aproveitou sua visita para receber seu “Batismo digital”.

Índio não quer apito. Quer Internet de qualidade.

Índio não quer apito. Quer Internet de qualidade.

Nessa onda de igualdade e internet para todos, os campuseiros vivenciaram um encontro que para muitos pode soar inimaginável: índios e quilombolas lutando a favor de uma internet social.

Um painel entre Marcelo Tas, apresentador do programa CQC da Band, Anápuáka Muniz Tupinambá, índio membro da Web Brasil Indígena e TC, líder tecnológico quilombola deixou claro o papel da sociedade nos dias atuais: lutar para que a internet seja um instrumento revolucionário. “Precisamos e queremos ter acesso à rede”, falou TC. Nada mais justo para um cidadão brasileiro e do mundo.

Crédito imagem Marina Silva: Bárbara Forte (Eband)

Política e Internet

Em 2010, a Internet promete ser um cabo eleitoral poderoso no Brasil.

Dilma até cogitou criar um perfil no twitter.

Dilma até cogitou criar um perfil no twitter.

Depois do sucesso da campanha on-line de Barack Obama nos EUA, da liberação das campanhas e até diante da possibilidade do voto via internet , não há dúvida de que a rede de computadores deverá ser utilizada em larga escala pelos candidatos.

De olho nos votos que o mundo on-line pode trazer para o futuro presidente da República, a ministra da Casa Civil Dilma Roussef e a senadora Marina Silva visitaram a Campus Party.

Em ritmo de campanha antecipada, mas não declarada, Dilma aproveitou para falar com o especialista em software livre Larry Lessig e sobre as possibilidades de mudança da lei de direitos autorais no Brasil e discursou sobre como a Internet com sua “multiplicidade de vozes” pode favorecer a democracia.

A senadora é uma navegante novata na rede.

A senadora é uma navegante novata na rede.

A ministra também aproveitou para enaltecer o Plano Nacional da Banda Larga, mas evitou se posicionar como candidata do governo e especular sobre as eleições.

Já Marina Silva percorreu os corredores do evento e chegou até a navegar nos computadores disponibilizados para o Batismo Digital (programa criado para inserir as pessoas de baixa renda no mundo web.

A senadora admitiu que sua visita ao maior evento de tecnologia do Brasil já demonstra o início do trabalho de campanha, mas afirmou não ter tanta afinidade com a tecnologia. Para Marina Silva, que é recém chegada à rede,  a internet fez com que ela “reencontrasse a aprendizagem” .

Aos eleitores sobra a certeza de que nas eleições 2010 os candidatos usarão como nunca as redes sociais e muitos deles estarão pipocando nas telas dos computadores. Resta torcer para que ninguém invente o horário eleitoral obrigatório na internet.

Crédito imagens:  Cristiano Sant’anna

A luta pelo acesso sem restrições

*Imagem com direitos parcialmente reservados.

*Imagem com direitos parcialmente reservados.

A mudança na legislação de direitos autorais é essencial para o desenvolvimento do mundo. Essa é a opinião do norte-americano Lawrence Lessig, fundador da Creative Commons (CC) e um dos maiores defensores do uso da internet livre, sobre a reformulação das leis com foco na adequação do modelo criativo e também da era digital. Na Campus Party, o especialista em software livre participou de uma coletiva de imprensa.

De acordo com Lessig, que também é professor de direito em Harvard, as dificuldades em reformular as leis de acordo com o século atual estão impedindo o sistema de avançar como deveria. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a juventude vive uma era de proibições em que toda e qualquer cultura é considerada ilegal. Eles são criticados por estarem compartilhando informações com os amigos. Isso é surreal”.

Para explicar melhor o que ele quer dizer, vamos lá: você copia músicas de um CD para o seu MP3, assiste a um vídeo via streaming ou empresta um e-book?  Provavelmente você não enxerga nada de incomum nisso, mas cuidado: isso é ilegal por ser considerado cópia pelas velhas leis. “Atualmente o mundo é conhecido por ‘Read-write’, no qual além de consumir o conteúdo desejamos também modifica-lo. O problema é que a lei não permite isso”, afirma.

Lessig deixou claro que, em pleno século 21, lidar com certas imposições já faz sentido. Tanto que, além de defender o direito à redistribuição de bens culturais, ele apoia o ‘uso justo’ (como fez questão de frisar) de conteúdo na web. Foi pensando nisso que ele criou a licença CC, no qual o lema é ‘alguns direitos reservados’. “Acho necessário o Copyright, mas apoio algo mais maleável e não por conter todos os direitos reservados da obra”, disse.

No fim da exposição, ficou claro que o mundo deixou de ser ‘Read-Only’ faz algum tempo. “Lute e mostre para os artistas que vocês podem fazer o uso consciente do conteúdo criado por eles”, pediu o pesquisador. Após um encontro com Lessig, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff garantiu que uma nova lei para o Brasil esteja pronta ainda no primeiro semestre desse ano.

Agora é aguardar pra ver. Ou melhor, para usar a internet com mais liberdade.

As mulheres de antenas

Cadê as campuseiras?

Cadê as campuseiras?

Desde o primeiro dia ou até antes mesmo de chegar à Campus Party, os visitantes já sabem que há pelo menos uma coisa que eles não encontrarão com facilidade no maior evento de tecnologia do Brasil: mulheres.

Como na Atenas da antiga Grécia, a participação das meninas ainda é tímida e ainda se limita a poucos assuntos do pensamento high tech. Ou, trazendo a comparação para o mundo da tecnologia, é como se os homens já estivem na conexão wireless enquanto as mulheres ainda usassem antenas.

De acordo com a organização do evento, as descendentes de Eva representam apenas 25% dos participantes do evento. Em outras palavras, para cada três homens há uma mulher. Uma enorme diferença, principalmente se contabilizarmos ao longo das décadas as conquistas femininas no mercado de trabalho e em praticamente todos os segmentos da sociedade.

A jornalista Silvia Damasceno não se considera "tecnológica".

A jornalista Silvia Damasceno não se considera "tecnológica".

Mesmo com tantos espaços de atrações, a sala de imprensa acaba sendo o lugar mais fácil para encontrar uma proporção igualitária entre os sexos. A jornalista Silvia Damasceno que faz a cobertura para o principal patrocinador do evento não se considera uma mulher “tecnológica”, mas acredita que há possibilidade de atrair o público feminino para eventos como a Campus Party: “O mundo feminino é muito vasto. Nós gostamos de muitas coisas diferentes. Talvez a organização pudesse trazer inovações voltadas para o público feminino”.

Marina Paes, jornalista do Adnews, encontrou dificuldades para encontrar suas pares no evento: “Ontem precisava de uma personagem mulher para gravar e tive dificuldades para achar”.  Para ela, os assuntos abordados no evento são “coisa de homem”. “Essa mistura de jogos, simuladores, programas, sistemas e dados é como faculdade de engenharia. Acabam ficando mais homens. A mulher navega na Internet em busca de outros temas”.

Marina acha que a Campus Party é mais "coisa de homem".

Marina acha que a Campus Party é mais "coisa de homem".

A crise é tão latente para os homens que alguns campuseiros criaram um site específico para compilar as fotos das poucas mulheres que se pode trombar no evento. É o Campus Babes   http://campus-babes.com/

Por falar em sites, Veridiana Serpa, que comanda o blog Geek Chic, opina que a seca de mulheres se dá talvez pela própria proposta da Campus Party:  “o evento em si atrai mais homens. O formato de acampar, trazer computadores, tudo isso assusta mais as mulheres”.

Por outro lado, Veridiana acredita que ainda há esperança: “Se houvesse outros temas aliados à tecnologia, como moda e beleza, a mulher se sentiria mais atraída. Basta ver o palco criatividade que mistura temas gerais com tecnologia. Ele é o mais freqüentado pelas mulheres”, observa.

Veridiana afirma que a maioria dos seus leitores é masculina.

Veridiana afirma que a maioria dos seus leitores é masculina.

A blogueira que admite contar mais leitores homens no seu site ainda levanta outra questão. Seja pela fase hormonal dos homens do evento (a maioria absoluta entre 18 e 29 anos) ou até mesmo pela já costumeira escassez do sexo oposto, ela aponta para que poderia se definir como uma “abordagem medieval” dos campuseiros:

“o estigma que existe em torno dos ‘nerds’ já é grande. De repente, quando uma mulher bonita passa pelos corredores alguns gritam, mexem no cabelo, pegam no braço. Isso acaba intimidando ainda mais”, conclui Veridiana.

Mas e as mulheres participantes o que pensam disso? Será que esse é um dado irreversível? Parece que não.

Raquel deseja usar a informática aliada ao design.

Raquel deseja usar a informática aliada ao design.

Raquel de Souza, 21 anos, veio o ano passado e esteve em todos os dias na Campus Party 2010. Ela cursa engenharia da computação e já está acostumada com a maioria masculina: “no meu curso começaram dez meninas. Em um ano, sobraram apenas cinco”.

Ela acredita que a informática atrai mais homens por ser algo mais “padronizado”,  com possibilidades de se desenvolver novas ferramentas baseadas na mesma linha de pensamento. Entretanto, ela prefere utilizar os conhecimentos tecnológicos para uma finalidade mais criativa: o design. Aliás, Raquel também acredita que muitas mulheres desconhecem como podem fazer uso da tecnologia de forma mais criativa.

Para ela, ter contato a um evento como essa é uma oportunidade de escutar outras pessoas, trocar experiências e conhecimento. Desse modo, Raquel consegue ter uma decisão mais certeira daquilo que gosta ou não no vasto mundo tecnológico.

A timidez não permitiu a foto. Mas pela mão bem cuidada dá para ver que é menina.

A timidez não permitiu a foto. Mas pela mão bem cuidada dá para ver que é menina.

A jovem e tímida Victoria Ventura , 15 anos, cursa o colegial técnico em informática e também não se importa com a superpopulação de homens. Na verdade, ela afirma se sentir bem como a “diferente”. Seu objetivo é conhecer tudo sobre Internet. Aliás, ela dá uma dica para atrair o público feminino: “minhas amigas gostam de fazer compras on-line”.

Nessa mesma linha, Raquel também considera que há saídas para aumentar a frequencia feminina: “trazer algo relacionado à moda e outros temas que tenha a ver com o universo das meninas. Talvez pudessem ter uma parte no evento dedicada para as mulheres”.

Entretanto, mesmo com o deserto de mulheres na Campus Party, muitos marmanjos participantes afirmam que esse ano “a coisa está bem melhor”. Ou seja, a participação das mulheres ainda que discreta, mas tem crescido e pode ser uma valiosa dica para as próximas edições.

Cidadãos Wi-fi

As quedas na transmissão ao vivo e o streaming do vídeo quase passaram despercebidos durante a atração no palco principal dessa sexta-feira. Também pudera: a Campus Party trouxe, por meio de teleconferência, aquele que é considerado uns dos maiores especialistas em projetos tecnológicos no mundo: o pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets) Federico Casalegno.

Diretamente dos EUA, o italiano Federico respondeu durante o debate ‘Os desafios da mobilidade digital’, a questões referentes à mobilidade e o dia a dia das pessoas, a integração do celular com o meio educacional e, como não podia deixar de ser, discorreu sobre importantes pesquisas do MIT.

Também presentes ao palco central estavam Rogério Costa, doutor em Semiótica e consultor da GTE/Fundação Vanzolini; Nick Ellis, blogueiro e especialista em mídias sociais da In Press Porter Novelli; Bia Kunze, dentista, consultora em tecnologia móvel e comentarista da rádio CBN Curitiba; Jeff Paiva, Diretor de Social Media da EnergyBrasil/ Y&R; Alexandre Fugita, autor do blog techbits; e Luis Fernando Guggenberger, da Divisão de Responsabilidade Socioambiental da Vivo.

Momento telefonica

Na opinião de Bia Kunze, é mais provável que as pessoas acessem a rede móvel do que por meio de terminais fixos. De acordo com dados da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), referentes ao último dezembro, o Brasil tem quase 175 milhões de celulares habilitados. Para o blogueiro Fugita, o fato de a mobilidade estar, literalmente, cabendo na palma da mão favorece a classe estudantil. “As informações hoje em dia já nascem em tempo real e podem ser acessadas a qualquer hora”, analisou.

Guggenberger compara a mobilidade com o crescimento das relações interpessoais. “Eu guardo o meu conhecimento com os meus amigos. Quanto maior a conexão com eles, maior é o meu conhecimento”. Com um tom de discórdia, Casalegno falou que, “a noção de amizade e confiança é diferente em todo o mundo. Na França, por exemplo, dividir fotos e vídeos só acontece entre amigos íntimos. Lá não existe isso de ter 500 amigos no orkut ou facebook, como no Brasil”.

A blogueira Bia Kunze atesta: a rede móvel tomará o espaço da fixa.

A blogueira Bia Kunze atesta: a rede móvel tomará o espaço da fixa.

Avaliando o momento atual, Nick Ellis falou em grandes mudanças no futuro. “Hoje está muito mais fácil progredirmos, pois a maioria da população brasileira tem celular e interage com outras mídias. Aposto em uma virada de página gigantesca. O Brasil está pronto para isso”.

Na opinião de Casalegno, a ideia da classe para a mobilidade é que ela consiga redesenhar o transporte público e os movimentos – seja ele físico, intelectual ou cognitivo. “É preciso aprofundar na pesquisa dia após dia. Precisamos saber qual é a melhor forma de as pessoas terem acesso fácil à informação”.

Sobre as ações realizadas pelo Instituto de Massachussets, o pesquisador fez questão de destacar um projeto encomendado pelo Governo da Itália, no qual impede os jovens de dirigirem bêbados. Nas casas noturnas, as pessoas realizam o teste do bafômetro e, caso o aparelho acuse um nível de teor alcoólico acima do permitido por lei, o sistema liga para um amigo da vítima e o premia (com milhagens e outros itens) caso ele aceite buscar o cidadão bêbado.

“É claro que todo mundo sabe quando já bebeu além da conta. Mas, as pessoas preferem que um aparelho diga isso a elas. Foi a maneira que encontramos de prevenir acidentes. A vida das pessoas também está ligada à tecnologia”.

Para o Brasil, ainda faltam opções de planos de dados acessíveis para o grosso da população que ainda se restringe ao modelo pré-pago para ligações e mensagens. No entanto, o país é um mercado emergente que chama cada vez mais a atenção para investimentos.

Talvez seja apenas uma questão de tempo para que todos os benefícios apontados pelos especialistas tomem conta por aqui e, como no exemplo italiano, o aparelho celular seja usado também como uma ferramenta para formar cidadãos.

O Jardim Robótico

Essas flores não morrem, mas podem queimar.

Essas flores não morrem, mas podem queimar.

A atração mais colorida da Campus Party 2010 sem dúvida é o jardim robótico criado pela equipe de engenharia de controle e automação da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Sorocaba.

Aberto ao público, o jardim robótico não possui nem terra, nem água. Ele é construído com fios, minilâmpadas e flores de acrílico que emanam luzes de acordo com os estímulos que recebem.

Algumas delas mudam de cor com o movimento dos corpos. Sempre quando alguém se aproxima ou se afasta dessas flores suas luzes sofrem alteração na tonalidade. Outras, em formas de girassol, não seguem em direção ao astro rei, mas se viram em direção às luzes emitidas por uma lanterna.

Estima-se que cada vaso de flor robótica custe R$ 2.000. No entanto, há que se ressaltar que isso não é apenas uma brincadeira da ciência.

A tecnologia utilizada nas flores já é e pode ser transportada para outras inúmeras finalidades do cotidiano das pessoas. Criar sensores de luz e de movimentos para aparelhos eletrônicos, portas automáticas e até sistemas de segurança.

Abaixo, segue um vídeo para que o leitor possa apreciar as flores luminosas do maior evento de tecnologia do Brasil.

O pai do comércio on-line no Brasil é argentino

Marcos Galperin vê mais espaço para o crescimento do comércio na web.

Marcos Galperin vê mais espaço para o crescimento do comércio na web.

Não basta ser o site mais acessado no seu segmento na América Latina e no Brasil. O objetivo do argentino Marcos Galperín, o criador do Mercado Livre e um dos pioneiros do e-commerce, é crescer ainda mais. Em 10 anos, ele pretende atingir 100 milhões de usuários cadastrados. Hoje são 41 milhões deles.

Tudo não passava de um projeto de conclusão de curso (o tão temido TCC), que estava sendo desenvolvido em uma garagem em Stanford (EUA). Mas a vontade de receber o diploma era tão grande, que o projeto foi ficando cada vez mais sério. E foi o que aconteceu. “O Mercado Livre revolucionou o mercado do mesmo jeito que o Google e o Youtube”, analisa ele, sem modéstia, comparando a plataforma de comércio on-line com as de busca e vídeos mais acessadas do mundo.

Mas nem tudo são flores. De acordo com Marcos, alguns pontos ainda precisam ser melhorados. “Casa de ferreiro, espeto de pau. Ainda temos um gargalo constante na area de TI e programação”, entrega. Além disso, segundo ele, “seguir os concorrentes e tentar fazer marketing de massa quando a internet tinha penetração de 5% foi um grande erro nosso no passado”.

Para ele, ter foco no cliente é o principal segredo para o sucesso na web. Prova disto é a quantidade de funcionários: só no escritório central na região de Alphaville (SP), são 350. A meta da equipe é responder 80% dos 400 mil e-mails recebidos por mês em um período de 24 horas. E eles conseguem. Por isso, atualmente a empresa alcançou o valor de 2 bilhões de dólares na bolsa americana Nasdaq.

O Direito e a Internet

A discussão das leis na internet só começou.

A discussão das leis na internet só começou.

Antes eles serviam como diários onlines e espaços para trocas de opiniões entre amigos. Mas já há algum tempo, os blogs vem ganhando visibilidade e importância para o mundo real. Consequentemente, a dimensão dos comentários dos autores tem provocado reações negativas ( em alguns casos processos judiciais) para quem está do outro lado.

Aliás, essa já é uma discussão antiga (se levarmos em conta a noção de tempo da Internet) e que sempre levanta duas questões antagônicas: ao mesmo tempo que a censura é um instrumento reprovável e seu uso seria uma demonstração de absoluto retrocesso em plena era digital, também não é possível conviver com pessoas (no caso, os blogueiros) que tenham imunidade vitalícia para escrever deliberadamente aquilo que desejam e nunca poderão ser responsabilizados por seus equívocos.

Foi pensando no tema ‘Direito e a Internet’ que a Campus Party promoveu, no espaço Criatividade, um provocante debate entre blogueiros e profissionais de direito para entender o limite no ofício de blogar.

Para o moderador do encontro, o jornalista e professor de Comunicação Digital, Marcelo Trasel, a responsabilidade de cidadão deve ser mantida em ambos os casos – seja ela pessoa física ou jurídica -, mas muitas vezes isso é deixado de lado. “Tudo que atinge a esfera digital é mais perigoso, porque não tem volta. Fica registrado pra sempre”, diz ele.

O professor Marcelo Träsel defende a liberdade de expressão na web.

O professor Marcelo Träsel defende a liberdade de expressão na web.

Marcelo deixou claro que, por mais que a atividade ainda seja considerada nova no país, os blogueiros devem lutar pela liberdade de expressão. “Quem acha que jornalista não sofre represálias está enganado. Mas, nem por isto eles deixam de lutar. E é isso que os blogueiros devem fazer”, opina Trasel, autor do blog trasel.com.br/blog.

Mas afinal, os meios de expressão na internet são espaços restritos? Para o advogado da área de internet e tecnologia Marcel Leonardi a questão vai muito além disso. “Falta conhecimento de técnicas jornalisticas. Pra mim, boa parte dos problemas judiciais acontecem por causa disso”, opina ele, dando como exemplo a utilização de imagens sem a autorização e acusação a terceiros sem prova.

O juiz de direito Jorge Araújo acha que a solução é criar associações que favoreçam os blogueiros. “Todo mundo precisa de um orgão de natureza sindical para garantir a sua defesa. Com essa classe não poderia ser diferente”, fala o autor do site direitoetrabalho.com. Nos EUA, por exemplo, já existe a Eletronic Frontier Foundation, instituição que reúne fundos monetários para defender causas que podem virar jurisprudência.

A advogada Flávia Penido tem a mesma opinião de Araújo, mas com uma ressalva: muitas vezes a censura é confundida com respeito ao próximo. “É preciso saber diferenciar o que é direito e o que é dever do blogueiro. Por mais que o texto seja o que ele ache, tem que ter cautela pois pode humilhar o outro”.

Em relação à falsificação e roubo de textos, Alessandro Martins, autor do blog queroterumblog, falou que em um primeiro momento é preciso entender o contexto do plágio. “Algumas vezes a pessoa realmente não agiu de má fé. No meu caso, em particular, eu ignoro até que aquilo me traga problemas relevantes”. O primeiro passo a fazer, na opinião dele, é mandar um e-mail para o ‘ladrão’ pedindo que o post seja excluído, mas se nada acontecer, tomar mesmo decisões judiciais.

Diferente do que acontece no Brasil, nos Estados Unidos um blogueiro só se torna responsável por um conteúdo se ele for notificado anteriormente e não tomar as providências cabíveis.

EntreTreinamento

O painel do simulador para controladores de voo.

O painel do simulador para controladores de voo.

Assim que os visitantes entram no salão principal da Campus Party, são rapidamente atraídos pela quantidade de equipamentos que se encontram do lado direito, na área de entretenimento digital.

Nela estão localizados os simuladores de voo (há também os de automóveis), as parafernálias tecnológicas que buscam imitar com perfeição situações e movimentos reais de um piloto de aeronaves. Seja em um avião comercial ou de guerra, helicópteros e outras geringonças capazes de vencer o ar.

Um dos mais completos e atrativos é o simulador que reproduz o sistema do cockpit de um Boeing 777. Todos os controles e equipamentos seguem normais internacionais. Inclusive, ao seu lado se encontra outro aparelho que serve para controladores de vôos.

Na prática, ao realizar um voo simulado em rede, alguns se incumbem de pilotar enquanto os outros ficam atentos para direcionar corretamente as aeronaves que sobrevoam o espaço aéreo virtual. Todos essas máquinas são homologadas para treinamento real de pilotos e se encontram dentro dos padrões exigidos pela ANAC.

Para não ficar apenas na conversa, seguem abaixo os vídeos para que o leitor tenha alguma noção de uma decolagem no simulador de um Boeing 777 e de um sobrevoo rápido pela floresta em aeronave bimotor.

O acampamento

Campus Party 27.01 036Impossível ter em conta todas as impressões da Campus Party sem mencionar o camping montado na própria estrutura do evento. Afinal, é lá que os fanáticos passam toda a semana acampados.

As barracas ficam no saguão colado à zona central que abriga as quatro áreas temáticas principais (ciência, inovação, entretenimento digital e criatividade).

Separadas por uma por um grande portão, apenas os campuseiros credenciados são liberados pelos seguranças.

Os campuseiros não são fãs apenas de tecnologia.

Os campuseiros não são fãs apenas de tecnologia.

Segundo estimativas da organização, cerca de 4.500 barracas (o número exato será divulgado no final do evento) são montadas pelo principal patrocinador para que os campuseiros desfrutem de algum conforto nos sete dias que estarão imersos no mundo da tecnologia.

O espaço recheado de iglus de nailon recebe representantes de todos os estados do Brasil e oferece nas laterais chuveiros (cerca de dez para os meninos e outros dez para as moças) e sanitários, afinal, ninguém sobrevive só de banda larga.

Marketing até na hora de dormir

Qualquer um que transite algumas horas pela Campus Party será capaz de notar e até de se atrapalhar com a quantidade de ações promocionais e de marketing que ocorrem a todo momento.

A suíte presidencial do acampamento

A suíte presidencial do acampamento

E nem na hora de dormir as empresas pararam de pensar como impactar os jovens frequentadores do evento.

O portal “Meu móvel de madeira”, especializado em comercializar na internet móveis fabricados com madeira de reflorestamento, conseguiu atrair a atenção dos campuseiros que emendam as noites nas barracas.

A empresa construiu no espaço de acampamentos uma barraca grande de madeira certificada.

Dentro dela, estão: um monitor LCD 32 polegadas, régua com quatro tomadas, luminária, colchão, edredon, frigobar, roupão e nécessaire.

Por meio de uma ação no twitter, a empresa criou um concurso para que os participantes que acampam no evento concorram e tenham a chance de passar uma noite com muito mais mordomia.