Nick Ellis

O empresário e blogueiro Nick Ellis é editor e autor do Digital Drops, AppStore Blog e Meio Bit. Ele trabalha como analista na área de mídias digitais da In Press Porter Novelli no Rio de Janeiro. Com seu trabalho em mídias sociais já foi entrevistado por várias revistas e jornais, além do Jornal da Band e do Fantástico. Nick também é palestrante (Sou Mais Web e Faculdade Cândido Mendes, entre outros locais).

Homepage: http://digitaldrops.com.br/


Artigos por Nick Ellis

A globalização (e a monetização) no universo dos blogs

O objetivo do painel sobre a globalização no universo dos blogs era comparar as semelhanças e as diferenças de blogar no Brasil e em outras partes do mundo, fazendo um paralelo entre estes dois cenários. Participaram da mesa Francesco Cardi (Weblogs SL), Adriano Silva (editor da Spice Media, responsável pelo Gizmodo Brasil), Fábio Cipriani (consultor e escritor de livros sobre a relação entre empresas e mídias sociais) e Gabriel Esteffan (editor do Fayer Wayer Brasil), moderados por Juliano Spyer.

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Para Juliano, quando você começa a blogar, imagina que é tudo igual em qualquer parte do mundo. Que o conflito e tensão entre jornalistas e blogueiros acontecem do mesmo jeito aqui e no exterior, assim como os aspectos práticos, como colocar links para outros sites e formatar imagens. No Brasil parece existir uma distância entre os blogueiros, que trocam poucos links entre si. Gabriel diz que procura fazer o contrário, e dá um exemplo: ao ver uma notícia lá no Digital Drops, ele faz questão de dar o crédito, assim como acontece nos Estados Unidos. Durante todo o debate, ele ofereceu seu ponto de vista de blogueiro, o que eu acho que foi muito significativo.

Adriano trouxe a mesa o outro lado da moeda, pois acredita que a blogosfera do Brasil tem um posicionamento de ponta, assim como acontece lá fora. O grande desafio para ele é a profissionalização, que passa pela transformação de iniciativas pessoais de blogs individuais em veículos que sejam respeitados, ofereçam um bom conteúdo e pautem a mídia tradicional. O caminho é gerar uma indústria ao redor deste negócio. Ele cita o exemplo de grandes jornalistas no exterior que estão deixando os veículos tradicionais para criarem seus próprios veículos, influenciando inclusive as mídias tradicionais de onde eles saíram.

Na opinião de Fábio, o importante é analisar o blog como ferramenta de diálogo. Aqui no Brasil a adoção do blog como ferramenta de comunicação corporativa começou tem passado por agências e com a contratação de jornalistas, mas ainda falta a ponte entre estas empresas e o envolvimento de um funcionário da própria empresa. Isto gera um cenário onde as empresas ainda não parecem estar preparadas para lidar com o público.

Falando sobre a questão da monetização, Adriano mostra que ela é uma necessidade comum a todas as TVs, revistas e jornais, que enfrentam os mesmos desafios. O problema não é novo e não é especifico do meio digital, é fechar uma equação a partir de um produto baseado em conteúdo. Como fazer dinheiro na indústria da mídia, independente do meio? Em primeiro lugar, é preciso audiência, e para isto é necessário ter um bom conteúdo, esta tem que ser a base da equação. Gerar bom conteúdo, produzir e reter a audiência e saber como vender de maneira inteligente.

O caminho leva inexoravelmente as mídias tradicionais para a Internet. Quem trabalha na Internet vê que o mundo está caminhando em sua direção, e quando olha para frente encara o futuro com esperança, ao contrário de quem está nas mídias tradicionais.

Falando de monetização sob o ponto de vista das empresas, Fábio diz que a maioria das empresas nacionais ainda não investem em mídias sociais, e sim nas tradicionais. Ele acha que existe uma barreira entre o Brasil e o resto da América Latina, e elogia a organização Weblogs de Francesco Cardi que tem o poder para quebrar o limite da língua.

A verba para publicidade online vem do orçamento de marketing que as empresas têm para investir em anúncios e em mídia social. No Brasil, os executivos ainda não investem em mídias online como lá fora. Se você faz um trabalho de produção de conteúdo que gere um capital social, então é só uma questão de tempo para que alguma empresa entre em contato com você para fazer publicidade no seu veículo ou te contratar para produzir conteúdo.

Para Gabriel, é preciso muito cuidado neste tema. O principal desafio do produtor de conteúdo é saber como exibir publicidade online, oferecendo muito mais conteúdo real do que anúncios. Ele também gosta da ideia de oferecer concursos que tragam brindes para os leitores, oferecendo algo mais a quem realmente é a força do blog, o seu público.

Francesco diz que os blogs da sua rede foram criados para vender publicidade direta para empresas relacionadas ao seu tema. Eles têm 10 blogs e consegue vender publicidade Premium para marcas muito conhecidas. Ele acha que no Brasil dá para fazer o mesmo do que lá fora, é só se livrar de um certo “complexo de inferioridade”.

E chegamos a uma pergunta crucial. Como trazer usuários para um blog, seja ele pessoal e corporativo? A qualidade do texto é um fator muito importante, diz Fábio, mas também existe um outro essencial, que só é ensinado na escola da vida. Você precisa saber se relacionar com as pessoas e saber criar vínculos com as pessoas.

É preciso saber como se relacionar com os leitores da empresa, caso o contrário o vínculo fica cortado. Uma mídia social é tanto uma mídia de relacionamento quanto uma mídia democrática. Quando uma empresa cria um blog corporativo, acaba tendo um choque de objetivos, você quer alcance em números ou retorno (relacionamento). De nada adianta conseguir um bom resultado no Google, se você não conseguir estabelecer um relacionamento com o cliente.

Para Gabriel, o mais importante é saber e ter critério para escolher as notícias, e saber como resumir um assunto em poucas linhas. Tem que escrever bem, mas escrever curto, e ter a sensibilidade para o que o seu leitor quer, o que muda de país para país. São três habilidades essenciais para um blogueiro, mas que não são ensinadas em universidades.

Você pode escrever um ótimo texto jornalístico, mas este mesmo texto pode não fazer sucesso com os leitores. Ser blogueiro para ele é mais complicado do que ser jornalista, mas em compensação é muito mais divertido, porque você precisa fazer um pouco de tudo, ou pelo menos entender um pouco de cada aspecto relacionado ao seu blog, o que é bem interessante.

Blogs, redes sociais e celebridades, uma união quase perfeita

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Na Campus Party de 2009 eu tive o prazer de moderar a palestra sobre “blogs e celebridades”, e o assunto principal foram as redes sociais. Na CParty 2010 a palestra passou a se chamar “blogs, redes sociais e celebridades”, e contou com um excelente upgrade, a moderação de Bia Granja da revista Pix. Os convidados foram Pedro Neschling, Rosana Hermann (que é autoridade no assunto e também estava na mesa do ano passado), Lele Siedschlag e Marimoon, que discutiram portais de blogs como o BlogLog e Portal MTV. Outra pauta do debate era a “invasão” do Twitter por celebridades e o contraponto com as “microcelebridades” que surgem em palcos alternativos como o próprio Twitter, YouTube e blogs.

Minha amiga Rosana Hermann acredita pessoa vira um “trending topic” no Twitter, e que assim como a mídia cria celebridades, também existem muitas celebridades na rede. Bia Granja diz que ser uma celebridade na rede é igual a ficar rico no banco imobiliário. A celebridade tradicional fica em evidência durante toda a sua vida, e a celebridade online pode ter um minuto de fama e ganhar vários followers, mas é algo momentâneo, e no dia seguinte ganhar os mesmos followers de um dia normal.

Citando o perfil falso de Jô Soares no Twitter que tem 210.000 seguidores e não e nem muito atualizado, Pedro Neschling disse que quanto mais seguidores ele tem, menos gosta deste fato. Bia Granja diz que muitas pessoas reclamam sobre o que você twitta, mas se esquecem de que você está twittando para você, e não para os seus seguidores.

Lele Siedschlag pergunta, se os seguidores da Twittess não são pessoas que a admiram, porque utilizá-la para fazer marketing? Será que as pessoas que seguem ela vão comprar as coisas que ela elogia? Rosana acha uma loucura ter números e não saber como analisá-los, chamando as pessoas que não sabem interpretar as coisas de preguiçosas. Ela cita como exemplo a lista de sugeridos do Twitter, uma pessoa entrava no primeiro dia não sabia o que fazer, e se a pessoa faz isso, a pessoa clica e adiciona. Mano Menezes, Luciano Huck estavam na lista de sugeridos, por isto têm tantos seguidores. Quem olha para estes números e não sabe analisar, desconhece o fato de que 80% dessas pessoas não falam português e não entendem o que eles escrevem.

Bia pergunta para os convidados qual o significado de na capa do Migre.me você só ver entre os mais linkados tweets com promoções ou escritos por celebridades. Lele diz que as pessoas querem o que as celebridades estão falando naquele momento. Para Rosana, quanto mais câmeras existirem, mais capturas e mais acessos acontecerão. As ex-BBBs hoje em dia têm a competição do YouTube e Twitter e portanto tem menos referência na Internet. Com a chegada destes serviços que estão mudando a cara da mídia surgirem, mais celebridades devem surgir, com seus 15 minutos de fama. As pessoas não leem mais revistas, e o Twitter surgiu a partir da necessidade, pois as pessoas só conseguem ler pílulas. A cada 10 segundos é preciso criar uma nova piada para dar o ritmo, e a impressão é que a única válvula de escape para uma coisa mais densa e profunda é o amor.

Na web 1.0 todos queriam abrir um site e ficar rico. Na web 2.0 o objetivo é se tornar uma webcelebridade. Lele diz que muita gente confunde fama com grana, e as duas coisas não andam juntas, na verdade isto é cada vez mais raro. Rosana diz que a motivação para ser um ex-BBB não é o sonho do dinheiro, é ganhar sem trabalhar, fazer presença e ganhar R$ 10.000, e quem não queria? Marymoon lembra que começaram a surgir na Internet pessoas bem sucedidas como profissão, e que se antigamente a graça era fazer amizade, hoje em dia existem muitas pessoas que estão nas mídias sociais o tempo inteiro com o objetivo de ganhar dinheiro. As pessoas criam um blog com o objetivo de ser famoso.

Para Pedro, nos últimos anos houve um boom de celebridades do mundo real na internet, e isto fez surgir uma grande parcela da imprensa que não existia, jornalistas que seguem celebridades atrás de notícias. Outras celebridades entraram na rede com objetivo de gerar notinha em sites especializados em fofocas. Muitas empresas estão percebendo que existe a possibilidade de aproveitar comercialmente os formadores de opinião, mas isto não tem relação com a questão de celebridades. Mas é preciso haver pessoas nas empresas e agências que entendam que o que vale não é o número de seguidores e sim a relevância deles.

Rosana lembra que nos anos 50, 60, 70, 80 e começo dos 90 você era o da poltrona, não podia ver o jornal de ontem, acessar o arquivo da emissora, você estava fora da rede, só existia a rede de vendedoras da Avon com 1 milhão de mulheres. O surgimento da internet comercial em meados de anos 90 só atingiu quem tinha grana e acesso, mas em hoje as pessoas perceberam seu poder e querem brincar de mídia, inventando que alguém famoso morreu para ver até onde isto chega, e que isto tudo não é ruim, é apenas uma experiência, que as pessoas estão fazendo com as mídias. Não existe um curso de internet, somos todos analfabetos funcionais online, aprendemos usando e compartilhando. Rosana acha que somos crianças na Internet, e criança aprende copiando o outro. O pessoal do Pânico foi encontrados no YouTube, menos o Zina, que foi achado na rua. A Band selecionou quem fazia improviso na web para o programa CQC.

Pedro diz que cria distância quando acha que tem que criar, quando alguém escreve um twitt com o único objetivo de irritar, ele ignoro e bloqueia, mas não ignoro quem tem algo a dizer. Marymoon passa 1 hora por dia no Twitter respondendo as pessoas, mas não consegue responder todas, pois quando está online recebe cerca de 50 perguntas por minuto. São pessoas que marcam de ir na MTV para tirar fotos, e ela encoraja esta aproximação fazendo um picnic Campus Party com os fãs. Ela passou por algo parecido quando encontrou o Tim Burton e chorou de emoção.

Para Rosana, muito mais importante do que se tornar uma celebridade online é saber que os leitores do seu blog a receberam muito bem em locais como Londres e Buenos Aires, e que estes fãs se tornaram parte da sua vida. Marymoon acredita que as únicas celebridades são as quem aparecem na revista Caras. Bia Granja finalizou dizendo que para ficar famoso online você precisa fazer algo muito tosco ou algo muito bom. Sou obrigado a concordar.

“Revolução do sofá” ou a evolução das mobilizações sociais?

Até que ponto movimentos como blogagens coletivas, mobilizações como o #ForaSarney e o uso da rede para politizar as pessoas são efetivas? Este foi o tema do debate “Revolução do sofá ou a evolução das mobilizações sociais?”, que contou com a participação de Rafael Ziggy (BlogVoluntário), Marcelo Vitorino (Doe Mais que um Clique), Rafael Losso (MTV), Felipe Fonseca (Rede Metareciclagem) moderados por Jorge Rocha (Exu Caveira).

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Segundo Rafael Ziggy, com a revolução do sofá muita coisa fica no oba-oba, por conta da lei do menor esforço. Algumas coisas podem até funcionar, mas somente em temas que estão ligados a internet, como por exemplo o Movimento Blog Voluntário, idealizado com o projeto Voluntários Online, que busca mobilizar os blogs e combater o analfabetismo digital, e que contou com a participação de quase 1000 blogueiros em 2008 e 2009. No ano passado, surgiram quatro livros eletrônicos falando sobre o assunto. Este movimento deu certo pois as pessoas que foram convocadas já estão acostumadas a escrever, e só precisaram adequar as pautas dos seus blogs ao assunto que foi proposto.

De acordo com Rafael Losso, o termo “revolução do sofá” remete a TV e não conseguir tomar uma atitude a respeito do que assiste e se indigna. A internet seria uma forma de mobilizar mais pessoas , mas isto não tem acontecido automaticamente, e está sendo feito de forma lenta, com temas e motivos menores, assim a atitude das pessoas continua a ser a mesma de antigamente, quando se indignavam com o que viam na TV e nada faziam.

O poder de mobilização da internet é melhor percebido em eventos como a Campus Party, onde os participantes tem a chance de alcançar a grande mídia e a possibilidade de tornar seus temas conhecidos e por consequência, mais relevantes. A campanha online de Barack Obama também é outro exemplo de como a ideologia conseguiu transformar o mundo. Sob uma ótica negativa, os objetivos não são alcançados de forma tão simples, como por exemplo o #ForaSarney, que serviu mais como válvula de escape das angústias das pessoas do que como uma ação em si. O movimento não gerou nenhum evento efetivo, as passeatas não tiveram repercussão e nem participantes. As pessoas tiveram a chance de dar vazão as suas indignações pela internet, mas nada além disto. É algo parecido com uma pixação em um muro, que com o tempo é apagada e não gera resultados a longo prazo.

Felipe Fonseca defende que a ideia de uma revolução feita pela Internet é ilusória, e que os indíviduos devem desconfiar e questionar uma mobilização que se restrinja ao ambiente online. A democracia tem sido tratada como torcida de futebol, e isso é maléfico, porque as pessoas só podem falar bem de um lado. Segundo ele, é necessário realizar um debate mais amplo, onde a população possa ir mais a fundo na transformação que pretende fazer, caso contrário se trata de uma exposição gratuita.

Marcelo Vitorino criou junto com o Edney Souza a campanha ” Doe mais que um clique”, e ficou decepcionado com o resultado. Ele diz que não podemos dizer que a Internet é responsável por não alcançar as pessoas, e considera que a culpa é do analfabetismo social existente, que impede atingir os números desejados, citando como exemplo o fato de 10 dos 7 maiores trending topics do Twitter no Brasil tratarem do #BBB.

Ele citou a grande quantidade de movimentos baseados em retweets, enquanto que o cidadão nem percebe se o que está sendo RT é realmente importante. Segundo Marcelo, se na época das “Diretas Já” existisse Internet e twitter, talvez nada de prático tivesse sido feito. Esta crítica se estende a todos, inclusive a ele mesmo.

Apesar do seu blog “Pergunte ao Urso” ter um tom humorístico, ele também escreve sobre política e já foi até mesmo ameaçado de processos por citar políticos nominalmente, o que ocasionou o movimento #FreeUrso no Twitter. É importante também lembrar que quantidade não significa relevância, e que é necessário revermos nossas vidas como ativistas sociais, já que todos podem ter um papel social na sociedade.

Jorge Rocha se mostra cético em relação a mobilização do sofá, dizendo que o problema é que as pessoas podem pensar que a revolução irá acontecer através da troca de informações online, sem que sejam acompanhadas de qualquer atitude offline.

Felipe Fonseca diz que blogs e Twitter são apenas ferramentas, as que são as pessoas por trás destas ferramentas que realizam as transformações, são elas que fazem as coisas acontecerem. Um exemplo prático de uma mudança verdadeira é um multirão para ajudar a construir uma casa para quem precisa.

Marcelo Vitorino acha que o Twitter poderia ser grande ferramenta, mas que infelizmente é mais fácil reunir 20 pessoas para beber uma cerveja do que apenas uma para doar sangue e ajudar a salvar vidas. Ele acredita que a Internet serve para espalhar a mensagem, mas não para montar um movimento real.

O que existe de mais efetivo em campanhas online é resultado de um esforço no mundo offline, como a campanha na TV sobre a prevenção do câncer e que contou com um apoio online na divulgação. Marcelo acredita que movimentos online não têm poder se não contarem com um respaldo offline. Criar um grupo social é fácil, agora fazer com que ele funcione e continue ativo sem qualquer tipo de censura é o mais difícil. Um bom exemplo é a Wikipedia do Brasil, onde um pequeno grupo decide o que tem relevância ou não para todos e assim censura o que deve ou não ser exibido, algo radicalmente diferente da Wikipedia nos Estados Unidos.

Na realidade as ferramentas que estão disponíveis aos cidadãos não estão sendo utilizadas para mudar o mundo, o que é uma pena, segundo Rafael Losso.

Existe Ex-Blogueiro?

Com o sucesso das redes sociais como o Facebook e sites de microblogging como o Twitter, muitos blogueiros desistiram de atualizar os seus blogs em troca de uma resposta mais imediata. Para tentar explicar este fenômeno recente, Gilberto Knuttz, Gabriel Von Doscht, Rafael Capanema e Clarissa Passos (do extinto Garotas que Dizem Ni) bateram um papo sobre o assunto, moderados por Tiago Dória.

Na minha opinião, eu sempre achei esta história de que o Twitter e demais ferramentas sociais estão causando o “fim da blogosfera” é um tanto quanto suspeita e exagerada, pois considero que as redes sociais são uma excelente forma de divulgação dos blogs. Mas os participantes do painel deixaram de lado seus blogs por algum motivo e o debate girou em torno disto.

Os Ex-Blogueiros

Os Ex-Blogueiros

Quando você estabelece uma frequência de posts, assume um compromisso com o leitor. Se você tem o hábito de escrever 10, 15 posts por dia, seus leitores vão reclamar quando você passar um dia sem postar. Esta pressão também pode ser um motivo para deixar o blog de lado. Todos os presentes foram unânimes em dizer que mesmo sem atualizações, o blog continua servindo como referência e até como abertura de oportunidades profissionais. A cobrança de posts diários pode ser um dos fatores para o abandono do blog, mas o principal motivo é mesmo a falta de vontade de escrever sobre determinado assunto.

Respondendo a uma pergunta sobre repercussão de textos antigos em nestes blogs, Gilberto disse que nunca teve o hábito de escrever posts sobre assuntos polêmicos e em fazer provocações, e que sempre toma cuidado com o que escreve para evitar este tipo de complicações legais.

Rafael Capanema citou o problema de blogueiros que falam mal de produtos ou serviços e são alvos de processos pelas empresas criticadas, citando o caso recente envolvendo o blog Desencalhamos e uma empresa de chocolates, dizendo que isto pode até causar o fim do blog e que é preciso ter muito cuidado para não cometer uma difamação.

Tiago Dória perguntou aos presentes se este tipo de atitude pode atrapalhar o futuro dos blogs no Brasil.  Clarissa diz que não acredita que este tipo de ameaça possa inibir os blogs. Em última instância, diz ela, o post pode ser apagado para evitar este tipo de problema.

Muitas vezes as empresas não querem saber o tamanho e a audiência dos blogs e sim em proteger a imagem da sua empresa, mas isto pode produzir um efeito contrário, chamando a atenção para um produto ou serviço de baixa qualidade, como lembrou Rafael Capanema.

Tiago Dória perguntou como os participantes veem o futuro dos blogs e se eles pretendem voltar a blogar um dia. Gabriel Von Doscht diz que a profissionalização dos blogs vai continuar, mas a onda de blogs sem qualquer motivação financeira deve voltar em breve, só que pessoalmente eu acredito que eles nunca deixaram de existir e que existe espaço para todos.

Para demonstrar que o número de novos blogs continua aumentando a cada ano, Gilberto Knuttz citou o grande aumento de tráfego no Blogspot e no Wordpress em 2009. Clarissa Passos acrescentou que um blog serve para encontrar pessoas com o mesmo gosto, estabelecendo um vínculo, o que pode transformar o autor em um formador de opinião. Gabriel Von Doscht acredita que os blogs vão se unir em micro sociedades e cita o exemplo do InterneyBlogs e InterBarney, e aposta no caminho da união entre os semelhantes. Rafael Capanema acha muito interessante a segmentação de blogs de assuntos diferentes como política e tecnologia, por exemplo.

Como os próprios participantes demonstraram em sua conversa, os blogs estão longe de acabar, mas cabe a cada autor decidir o que deve fazer com seu conteúdo, escrevendo quando quiser e encerrando o seu blog se tiver vontade, sem ceder as eventuais pressões dos seus leitores e fãs.

Nick Ellis