A globalização (e a monetização) no universo dos blogs
O objetivo do painel sobre a globalização no universo dos blogs era comparar as semelhanças e as diferenças de blogar no Brasil e em outras partes do mundo, fazendo um paralelo entre estes dois cenários. Participaram da mesa Francesco Cardi (Weblogs SL), Adriano Silva (editor da Spice Media, responsável pelo Gizmodo Brasil), Fábio Cipriani (consultor e escritor de livros sobre a relação entre empresas e mídias sociais) e Gabriel Esteffan (editor do Fayer Wayer Brasil), moderados por Juliano Spyer.

Para Juliano, quando você começa a blogar, imagina que é tudo igual em qualquer parte do mundo. Que o conflito e tensão entre jornalistas e blogueiros acontecem do mesmo jeito aqui e no exterior, assim como os aspectos práticos, como colocar links para outros sites e formatar imagens. No Brasil parece existir uma distância entre os blogueiros, que trocam poucos links entre si. Gabriel diz que procura fazer o contrário, e dá um exemplo: ao ver uma notícia lá no Digital Drops, ele faz questão de dar o crédito, assim como acontece nos Estados Unidos. Durante todo o debate, ele ofereceu seu ponto de vista de blogueiro, o que eu acho que foi muito significativo.
Adriano trouxe a mesa o outro lado da moeda, pois acredita que a blogosfera do Brasil tem um posicionamento de ponta, assim como acontece lá fora. O grande desafio para ele é a profissionalização, que passa pela transformação de iniciativas pessoais de blogs individuais em veículos que sejam respeitados, ofereçam um bom conteúdo e pautem a mídia tradicional. O caminho é gerar uma indústria ao redor deste negócio. Ele cita o exemplo de grandes jornalistas no exterior que estão deixando os veículos tradicionais para criarem seus próprios veículos, influenciando inclusive as mídias tradicionais de onde eles saíram.
Na opinião de Fábio, o importante é analisar o blog como ferramenta de diálogo. Aqui no Brasil a adoção do blog como ferramenta de comunicação corporativa começou tem passado por agências e com a contratação de jornalistas, mas ainda falta a ponte entre estas empresas e o envolvimento de um funcionário da própria empresa. Isto gera um cenário onde as empresas ainda não parecem estar preparadas para lidar com o público.
Falando sobre a questão da monetização, Adriano mostra que ela é uma necessidade comum a todas as TVs, revistas e jornais, que enfrentam os mesmos desafios. O problema não é novo e não é especifico do meio digital, é fechar uma equação a partir de um produto baseado em conteúdo. Como fazer dinheiro na indústria da mídia, independente do meio? Em primeiro lugar, é preciso audiência, e para isto é necessário ter um bom conteúdo, esta tem que ser a base da equação. Gerar bom conteúdo, produzir e reter a audiência e saber como vender de maneira inteligente.
O caminho leva inexoravelmente as mídias tradicionais para a Internet. Quem trabalha na Internet vê que o mundo está caminhando em sua direção, e quando olha para frente encara o futuro com esperança, ao contrário de quem está nas mídias tradicionais.
Falando de monetização sob o ponto de vista das empresas, Fábio diz que a maioria das empresas nacionais ainda não investem em mídias sociais, e sim nas tradicionais. Ele acha que existe uma barreira entre o Brasil e o resto da América Latina, e elogia a organização Weblogs de Francesco Cardi que tem o poder para quebrar o limite da língua.
A verba para publicidade online vem do orçamento de marketing que as empresas têm para investir em anúncios e em mídia social. No Brasil, os executivos ainda não investem em mídias online como lá fora. Se você faz um trabalho de produção de conteúdo que gere um capital social, então é só uma questão de tempo para que alguma empresa entre em contato com você para fazer publicidade no seu veículo ou te contratar para produzir conteúdo.
Para Gabriel, é preciso muito cuidado neste tema. O principal desafio do produtor de conteúdo é saber como exibir publicidade online, oferecendo muito mais conteúdo real do que anúncios. Ele também gosta da ideia de oferecer concursos que tragam brindes para os leitores, oferecendo algo mais a quem realmente é a força do blog, o seu público.
Francesco diz que os blogs da sua rede foram criados para vender publicidade direta para empresas relacionadas ao seu tema. Eles têm 10 blogs e consegue vender publicidade Premium para marcas muito conhecidas. Ele acha que no Brasil dá para fazer o mesmo do que lá fora, é só se livrar de um certo “complexo de inferioridade”.
E chegamos a uma pergunta crucial. Como trazer usuários para um blog, seja ele pessoal e corporativo? A qualidade do texto é um fator muito importante, diz Fábio, mas também existe um outro essencial, que só é ensinado na escola da vida. Você precisa saber se relacionar com as pessoas e saber criar vínculos com as pessoas.
É preciso saber como se relacionar com os leitores da empresa, caso o contrário o vínculo fica cortado. Uma mídia social é tanto uma mídia de relacionamento quanto uma mídia democrática. Quando uma empresa cria um blog corporativo, acaba tendo um choque de objetivos, você quer alcance em números ou retorno (relacionamento). De nada adianta conseguir um bom resultado no Google, se você não conseguir estabelecer um relacionamento com o cliente.
Para Gabriel, o mais importante é saber e ter critério para escolher as notícias, e saber como resumir um assunto em poucas linhas. Tem que escrever bem, mas escrever curto, e ter a sensibilidade para o que o seu leitor quer, o que muda de país para país. São três habilidades essenciais para um blogueiro, mas que não são ensinadas em universidades.
Você pode escrever um ótimo texto jornalístico, mas este mesmo texto pode não fazer sucesso com os leitores. Ser blogueiro para ele é mais complicado do que ser jornalista, mas em compensação é muito mais divertido, porque você precisa fazer um pouco de tudo, ou pelo menos entender um pouco de cada aspecto relacionado ao seu blog, o que é bem interessante.

