As quedas na transmissão ao vivo e o streaming do vídeo quase passaram despercebidos durante a atração no palco principal dessa sexta-feira. Também pudera: a Campus Party trouxe, por meio de teleconferência, aquele que é considerado uns dos maiores especialistas em projetos tecnológicos no mundo: o pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets) Federico Casalegno.

Diretamente dos EUA, o italiano Federico respondeu durante o debate ‘Os desafios da mobilidade digital’, a questões referentes à mobilidade e o dia a dia das pessoas, a integração do celular com o meio educacional e, como não podia deixar de ser, discorreu sobre importantes pesquisas do MIT.

Também presentes ao palco central estavam Rogério Costa, doutor em Semiótica e consultor da GTE/Fundação Vanzolini; Nick Ellis, blogueiro e especialista em mídias sociais da In Press Porter Novelli; Bia Kunze, dentista, consultora em tecnologia móvel e comentarista da rádio CBN Curitiba; Jeff Paiva, Diretor de Social Media da EnergyBrasil/ Y&R; Alexandre Fugita, autor do blog techbits; e Luis Fernando Guggenberger, da Divisão de Responsabilidade Socioambiental da Vivo.

Momento telefonica

Na opinião de Bia Kunze, é mais provável que as pessoas acessem a rede móvel do que por meio de terminais fixos. De acordo com dados da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), referentes ao último dezembro, o Brasil tem quase 175 milhões de celulares habilitados. Para o blogueiro Fugita, o fato de a mobilidade estar, literalmente, cabendo na palma da mão favorece a classe estudantil. “As informações hoje em dia já nascem em tempo real e podem ser acessadas a qualquer hora”, analisou.

Guggenberger compara a mobilidade com o crescimento das relações interpessoais. “Eu guardo o meu conhecimento com os meus amigos. Quanto maior a conexão com eles, maior é o meu conhecimento”. Com um tom de discórdia, Casalegno falou que, “a noção de amizade e confiança é diferente em todo o mundo. Na França, por exemplo, dividir fotos e vídeos só acontece entre amigos íntimos. Lá não existe isso de ter 500 amigos no orkut ou facebook, como no Brasil”.

A blogueira Bia Kunze atesta: a rede móvel tomará o espaço da fixa.

A blogueira Bia Kunze atesta: a rede móvel tomará o espaço da fixa.

Avaliando o momento atual, Nick Ellis falou em grandes mudanças no futuro. “Hoje está muito mais fácil progredirmos, pois a maioria da população brasileira tem celular e interage com outras mídias. Aposto em uma virada de página gigantesca. O Brasil está pronto para isso”.

Na opinião de Casalegno, a ideia da classe para a mobilidade é que ela consiga redesenhar o transporte público e os movimentos – seja ele físico, intelectual ou cognitivo. “É preciso aprofundar na pesquisa dia após dia. Precisamos saber qual é a melhor forma de as pessoas terem acesso fácil à informação”.

Sobre as ações realizadas pelo Instituto de Massachussets, o pesquisador fez questão de destacar um projeto encomendado pelo Governo da Itália, no qual impede os jovens de dirigirem bêbados. Nas casas noturnas, as pessoas realizam o teste do bafômetro e, caso o aparelho acuse um nível de teor alcoólico acima do permitido por lei, o sistema liga para um amigo da vítima e o premia (com milhagens e outros itens) caso ele aceite buscar o cidadão bêbado.

“É claro que todo mundo sabe quando já bebeu além da conta. Mas, as pessoas preferem que um aparelho diga isso a elas. Foi a maneira que encontramos de prevenir acidentes. A vida das pessoas também está ligada à tecnologia”.

Para o Brasil, ainda faltam opções de planos de dados acessíveis para o grosso da população que ainda se restringe ao modelo pré-pago para ligações e mensagens. No entanto, o país é um mercado emergente que chama cada vez mais a atenção para investimentos.

Talvez seja apenas uma questão de tempo para que todos os benefícios apontados pelos especialistas tomem conta por aqui e, como no exemplo italiano, o aparelho celular seja usado também como uma ferramenta para formar cidadãos.