A globalização (e a monetização) no universo dos blogs
31.01
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O objetivo do painel sobre a globalização no universo dos blogs era comparar as semelhanças e as diferenças de blogar no Brasil e em outras partes do mundo, fazendo um paralelo entre estes dois cenários. Participaram da mesa Francesco Cardi (Weblogs SL), Adriano Silva (editor da Spice Media, responsável pelo Gizmodo Brasil), Fábio Cipriani (consultor e escritor de livros sobre a relação entre empresas e mídias sociais) e Gabriel Esteffan (editor do Fayer Wayer Brasil), moderados por Juliano Spyer.

Para Juliano, quando você começa a blogar, imagina que é tudo igual em qualquer parte do mundo. Que o conflito e tensão entre jornalistas e blogueiros acontecem do mesmo jeito aqui e no exterior, assim como os aspectos práticos, como colocar links para outros sites e formatar imagens. No Brasil parece existir uma distância entre os blogueiros, que trocam poucos links entre si. Gabriel diz que procura fazer o contrário, e dá um exemplo: ao ver uma notícia lá no Digital Drops, ele faz questão de dar o crédito, assim como acontece nos Estados Unidos. Durante todo o debate, ele ofereceu seu ponto de vista de blogueiro, o que eu acho que foi muito significativo.
Adriano trouxe a mesa o outro lado da moeda, pois acredita que a blogosfera do Brasil tem um posicionamento de ponta, assim como acontece lá fora. O grande desafio para ele é a profissionalização, que passa pela transformação de iniciativas pessoais de blogs individuais em veículos que sejam respeitados, ofereçam um bom conteúdo e pautem a mídia tradicional. O caminho é gerar uma indústria ao redor deste negócio. Ele cita o exemplo de grandes jornalistas no exterior que estão deixando os veículos tradicionais para criarem seus próprios veículos, influenciando inclusive as mídias tradicionais de onde eles saíram.
Na opinião de Fábio, o importante é analisar o blog como ferramenta de diálogo. Aqui no Brasil a adoção do blog como ferramenta de comunicação corporativa começou tem passado por agências e com a contratação de jornalistas, mas ainda falta a ponte entre estas empresas e o envolvimento de um funcionário da própria empresa. Isto gera um cenário onde as empresas ainda não parecem estar preparadas para lidar com o público.
Falando sobre a questão da monetização, Adriano mostra que ela é uma necessidade comum a todas as TVs, revistas e jornais, que enfrentam os mesmos desafios. O problema não é novo e não é especifico do meio digital, é fechar uma equação a partir de um produto baseado em conteúdo. Como fazer dinheiro na indústria da mídia, independente do meio? Em primeiro lugar, é preciso audiência, e para isto é necessário ter um bom conteúdo, esta tem que ser a base da equação. Gerar bom conteúdo, produzir e reter a audiência e saber como vender de maneira inteligente.
O caminho leva inexoravelmente as mídias tradicionais para a Internet. Quem trabalha na Internet vê que o mundo está caminhando em sua direção, e quando olha para frente encara o futuro com esperança, ao contrário de quem está nas mídias tradicionais.
Falando de monetização sob o ponto de vista das empresas, Fábio diz que a maioria das empresas nacionais ainda não investem em mídias sociais, e sim nas tradicionais. Ele acha que existe uma barreira entre o Brasil e o resto da América Latina, e elogia a organização Weblogs de Francesco Cardi que tem o poder para quebrar o limite da língua.
A verba para publicidade online vem do orçamento de marketing que as empresas têm para investir em anúncios e em mídia social. No Brasil, os executivos ainda não investem em mídias online como lá fora. Se você faz um trabalho de produção de conteúdo que gere um capital social, então é só uma questão de tempo para que alguma empresa entre em contato com você para fazer publicidade no seu veículo ou te contratar para produzir conteúdo.
Para Gabriel, é preciso muito cuidado neste tema. O principal desafio do produtor de conteúdo é saber como exibir publicidade online, oferecendo muito mais conteúdo real do que anúncios. Ele também gosta da ideia de oferecer concursos que tragam brindes para os leitores, oferecendo algo mais a quem realmente é a força do blog, o seu público.
Francesco diz que os blogs da sua rede foram criados para vender publicidade direta para empresas relacionadas ao seu tema. Eles têm 10 blogs e consegue vender publicidade Premium para marcas muito conhecidas. Ele acha que no Brasil dá para fazer o mesmo do que lá fora, é só se livrar de um certo “complexo de inferioridade”.
E chegamos a uma pergunta crucial. Como trazer usuários para um blog, seja ele pessoal e corporativo? A qualidade do texto é um fator muito importante, diz Fábio, mas também existe um outro essencial, que só é ensinado na escola da vida. Você precisa saber se relacionar com as pessoas e saber criar vínculos com as pessoas.
É preciso saber como se relacionar com os leitores da empresa, caso o contrário o vínculo fica cortado. Uma mídia social é tanto uma mídia de relacionamento quanto uma mídia democrática. Quando uma empresa cria um blog corporativo, acaba tendo um choque de objetivos, você quer alcance em números ou retorno (relacionamento). De nada adianta conseguir um bom resultado no Google, se você não conseguir estabelecer um relacionamento com o cliente.
Para Gabriel, o mais importante é saber e ter critério para escolher as notícias, e saber como resumir um assunto em poucas linhas. Tem que escrever bem, mas escrever curto, e ter a sensibilidade para o que o seu leitor quer, o que muda de país para país. São três habilidades essenciais para um blogueiro, mas que não são ensinadas em universidades.
Você pode escrever um ótimo texto jornalístico, mas este mesmo texto pode não fazer sucesso com os leitores. Ser blogueiro para ele é mais complicado do que ser jornalista, mas em compensação é muito mais divertido, porque você precisa fazer um pouco de tudo, ou pelo menos entender um pouco de cada aspecto relacionado ao seu blog, o que é bem interessante.
Internet para todos
30.01
Que a Campus Party está recheada de laptops e aparelhos eletrônicos de última geração, todo mundo sabe. Afinal, trata-se do maior evento de tecnologia e internet do país que reúne, por motivos óbvios, especialistas aficionados por tudo o que envolve o mundo da tecnologia.

A presidenciável também recebeu seu batismo.
Assunto tão discutido nesses últimos dias, a inclusão digital não poderia ficar de fora da programação do evento. Promovido pela ONG Instituto Campus Party e realizada na área aberta ao público, o Projeto Batismo Digital promove aulas de 50 minutos para crianças, jovens e idosos com pouco – ou muitas vezes nenhum – contato com a internet e o computador.
Na ocasião, os participantes aprendem a mexer no mouse até mesmo navegar por sites de relacionamentos populares. Por dia, cerca de 700 pessoas passam pelo espaço, que conta 70 computadores e 15 oficineiros. Até a senadora Marina Silva aproveitou sua visita para receber seu “Batismo digital”.

Índio não quer apito. Quer Internet de qualidade.
Nessa onda de igualdade e internet para todos, os campuseiros vivenciaram um encontro que para muitos pode soar inimaginável: índios e quilombolas lutando a favor de uma internet social.
Um painel entre Marcelo Tas, apresentador do programa CQC da Band, Anápuáka Muniz Tupinambá, índio membro da Web Brasil Indígena e TC, líder tecnológico quilombola deixou claro o papel da sociedade nos dias atuais: lutar para que a internet seja um instrumento revolucionário. “Precisamos e queremos ter acesso à rede”, falou TC. Nada mais justo para um cidadão brasileiro e do mundo.
Crédito imagem Marina Silva: Bárbara Forte (Eband)
Política e Internet
30.01
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Em 2010, a Internet promete ser um cabo eleitoral poderoso no Brasil.

Dilma até cogitou criar um perfil no twitter.
Depois do sucesso da campanha on-line de Barack Obama nos EUA, da liberação das campanhas e até diante da possibilidade do voto via internet , não há dúvida de que a rede de computadores deverá ser utilizada em larga escala pelos candidatos.
De olho nos votos que o mundo on-line pode trazer para o futuro presidente da República, a ministra da Casa Civil Dilma Roussef e a senadora Marina Silva visitaram a Campus Party.
Em ritmo de campanha antecipada, mas não declarada, Dilma aproveitou para falar com o especialista em software livre Larry Lessig e sobre as possibilidades de mudança da lei de direitos autorais no Brasil e discursou sobre como a Internet com sua “multiplicidade de vozes” pode favorecer a democracia.

A senadora é uma navegante novata na rede.
A ministra também aproveitou para enaltecer o Plano Nacional da Banda Larga, mas evitou se posicionar como candidata do governo e especular sobre as eleições.
Já Marina Silva percorreu os corredores do evento e chegou até a navegar nos computadores disponibilizados para o Batismo Digital (programa criado para inserir as pessoas de baixa renda no mundo web.
A senadora admitiu que sua visita ao maior evento de tecnologia do Brasil já demonstra o início do trabalho de campanha, mas afirmou não ter tanta afinidade com a tecnologia. Para Marina Silva, que é recém chegada à rede, a internet fez com que ela “reencontrasse a aprendizagem” .
Aos eleitores sobra a certeza de que nas eleições 2010 os candidatos usarão como nunca as redes sociais e muitos deles estarão pipocando nas telas dos computadores. Resta torcer para que ninguém invente o horário eleitoral obrigatório na internet.
Crédito imagens: Cristiano Sant’anna
A luta pelo acesso sem restrições
30.01
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*Imagem com direitos parcialmente reservados.
A mudança na legislação de direitos autorais é essencial para o desenvolvimento do mundo. Essa é a opinião do norte-americano Lawrence Lessig, fundador da Creative Commons (CC) e um dos maiores defensores do uso da internet livre, sobre a reformulação das leis com foco na adequação do modelo criativo e também da era digital. Na Campus Party, o especialista em software livre participou de uma coletiva de imprensa.
De acordo com Lessig, que também é professor de direito em Harvard, as dificuldades em reformular as leis de acordo com o século atual estão impedindo o sistema de avançar como deveria. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a juventude vive uma era de proibições em que toda e qualquer cultura é considerada ilegal. Eles são criticados por estarem compartilhando informações com os amigos. Isso é surreal”.
Para explicar melhor o que ele quer dizer, vamos lá: você copia músicas de um CD para o seu MP3, assiste a um vídeo via streaming ou empresta um e-book? Provavelmente você não enxerga nada de incomum nisso, mas cuidado: isso é ilegal por ser considerado cópia pelas velhas leis. “Atualmente o mundo é conhecido por ‘Read-write’, no qual além de consumir o conteúdo desejamos também modifica-lo. O problema é que a lei não permite isso”, afirma.
Lessig deixou claro que, em pleno século 21, lidar com certas imposições já faz sentido. Tanto que, além de defender o direito à redistribuição de bens culturais, ele apoia o ‘uso justo’ (como fez questão de frisar) de conteúdo na web. Foi pensando nisso que ele criou a licença CC, no qual o lema é ‘alguns direitos reservados’. “Acho necessário o Copyright, mas apoio algo mais maleável e não por conter todos os direitos reservados da obra”, disse.
No fim da exposição, ficou claro que o mundo deixou de ser ‘Read-Only’ faz algum tempo. “Lute e mostre para os artistas que vocês podem fazer o uso consciente do conteúdo criado por eles”, pediu o pesquisador. Após um encontro com Lessig, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff garantiu que uma nova lei para o Brasil esteja pronta ainda no primeiro semestre desse ano.
Agora é aguardar pra ver. Ou melhor, para usar a internet com mais liberdade.
As mulheres de antenas
30.01
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Cadê as campuseiras?
Desde o primeiro dia ou até antes mesmo de chegar à Campus Party, os visitantes já sabem que há pelo menos uma coisa que eles não encontrarão com facilidade no maior evento de tecnologia do Brasil: mulheres.
Como na Atenas da antiga Grécia, a participação das meninas ainda é tímida e ainda se limita a poucos assuntos do pensamento high tech. Ou, trazendo a comparação para o mundo da tecnologia, é como se os homens já estivem na conexão wireless enquanto as mulheres ainda usassem antenas.
De acordo com a organização do evento, as descendentes de Eva representam apenas 25% dos participantes do evento. Em outras palavras, para cada três homens há uma mulher. Uma enorme diferença, principalmente se contabilizarmos ao longo das décadas as conquistas femininas no mercado de trabalho e em praticamente todos os segmentos da sociedade.

A jornalista Silvia Damasceno não se considera "tecnológica".
Mesmo com tantos espaços de atrações, a sala de imprensa acaba sendo o lugar mais fácil para encontrar uma proporção igualitária entre os sexos. A jornalista Silvia Damasceno que faz a cobertura para o principal patrocinador do evento não se considera uma mulher “tecnológica”, mas acredita que há possibilidade de atrair o público feminino para eventos como a Campus Party: “O mundo feminino é muito vasto. Nós gostamos de muitas coisas diferentes. Talvez a organização pudesse trazer inovações voltadas para o público feminino”.
Marina Paes, jornalista do Adnews, encontrou dificuldades para encontrar suas pares no evento: “Ontem precisava de uma personagem mulher para gravar e tive dificuldades para achar”. Para ela, os assuntos abordados no evento são “coisa de homem”. “Essa mistura de jogos, simuladores, programas, sistemas e dados é como faculdade de engenharia. Acabam ficando mais homens. A mulher navega na Internet em busca de outros temas”.

Marina acha que a Campus Party é mais "coisa de homem".
A crise é tão latente para os homens que alguns campuseiros criaram um site específico para compilar as fotos das poucas mulheres que se pode trombar no evento. É o Campus Babes http://campus-babes.com/
Por falar em sites, Veridiana Serpa, que comanda o blog Geek Chic, opina que a seca de mulheres se dá talvez pela própria proposta da Campus Party: “o evento em si atrai mais homens. O formato de acampar, trazer computadores, tudo isso assusta mais as mulheres”.
Por outro lado, Veridiana acredita que ainda há esperança: “Se houvesse outros temas aliados à tecnologia, como moda e beleza, a mulher se sentiria mais atraída. Basta ver o palco criatividade que mistura temas gerais com tecnologia. Ele é o mais freqüentado pelas mulheres”, observa.

Veridiana afirma que a maioria dos seus leitores é masculina.
A blogueira que admite contar mais leitores homens no seu site ainda levanta outra questão. Seja pela fase hormonal dos homens do evento (a maioria absoluta entre 18 e 29 anos) ou até mesmo pela já costumeira escassez do sexo oposto, ela aponta para que poderia se definir como uma “abordagem medieval” dos campuseiros:
“o estigma que existe em torno dos ‘nerds’ já é grande. De repente, quando uma mulher bonita passa pelos corredores alguns gritam, mexem no cabelo, pegam no braço. Isso acaba intimidando ainda mais”, conclui Veridiana.
Mas e as mulheres participantes o que pensam disso? Será que esse é um dado irreversível? Parece que não.

Raquel deseja usar a informática aliada ao design.
Raquel de Souza, 21 anos, veio o ano passado e esteve em todos os dias na Campus Party 2010. Ela cursa engenharia da computação e já está acostumada com a maioria masculina: “no meu curso começaram dez meninas. Em um ano, sobraram apenas cinco”.
Ela acredita que a informática atrai mais homens por ser algo mais “padronizado”, com possibilidades de se desenvolver novas ferramentas baseadas na mesma linha de pensamento. Entretanto, ela prefere utilizar os conhecimentos tecnológicos para uma finalidade mais criativa: o design. Aliás, Raquel também acredita que muitas mulheres desconhecem como podem fazer uso da tecnologia de forma mais criativa.
Para ela, ter contato a um evento como essa é uma oportunidade de escutar outras pessoas, trocar experiências e conhecimento. Desse modo, Raquel consegue ter uma decisão mais certeira daquilo que gosta ou não no vasto mundo tecnológico.

A timidez não permitiu a foto. Mas pela mão bem cuidada dá para ver que é menina.
A jovem e tímida Victoria Ventura , 15 anos, cursa o colegial técnico em informática e também não se importa com a superpopulação de homens. Na verdade, ela afirma se sentir bem como a “diferente”. Seu objetivo é conhecer tudo sobre Internet. Aliás, ela dá uma dica para atrair o público feminino: “minhas amigas gostam de fazer compras on-line”.
Nessa mesma linha, Raquel também considera que há saídas para aumentar a frequencia feminina: “trazer algo relacionado à moda e outros temas que tenha a ver com o universo das meninas. Talvez pudessem ter uma parte no evento dedicada para as mulheres”.
Entretanto, mesmo com o deserto de mulheres na Campus Party, muitos marmanjos participantes afirmam que esse ano “a coisa está bem melhor”. Ou seja, a participação das mulheres ainda que discreta, mas tem crescido e pode ser uma valiosa dica para as próximas edições.
Cidadãos Wi-fi
30.01
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As quedas na transmissão ao vivo e o streaming do vídeo quase passaram despercebidos durante a atração no palco principal dessa sexta-feira. Também pudera: a Campus Party trouxe, por meio de teleconferência, aquele que é considerado uns dos maiores especialistas em projetos tecnológicos no mundo: o pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets) Federico Casalegno.
Diretamente dos EUA, o italiano Federico respondeu durante o debate ‘Os desafios da mobilidade digital’, a questões referentes à mobilidade e o dia a dia das pessoas, a integração do celular com o meio educacional e, como não podia deixar de ser, discorreu sobre importantes pesquisas do MIT.
Também presentes ao palco central estavam Rogério Costa, doutor em Semiótica e consultor da GTE/Fundação Vanzolini; Nick Ellis, blogueiro e especialista em mídias sociais da In Press Porter Novelli; Bia Kunze, dentista, consultora em tecnologia móvel e comentarista da rádio CBN Curitiba; Jeff Paiva, Diretor de Social Media da EnergyBrasil/ Y&R; Alexandre Fugita, autor do blog techbits; e Luis Fernando Guggenberger, da Divisão de Responsabilidade Socioambiental da Vivo.

Na opinião de Bia Kunze, é mais provável que as pessoas acessem a rede móvel do que por meio de terminais fixos. De acordo com dados da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), referentes ao último dezembro, o Brasil tem quase 175 milhões de celulares habilitados. Para o blogueiro Fugita, o fato de a mobilidade estar, literalmente, cabendo na palma da mão favorece a classe estudantil. “As informações hoje em dia já nascem em tempo real e podem ser acessadas a qualquer hora”, analisou.
Guggenberger compara a mobilidade com o crescimento das relações interpessoais. “Eu guardo o meu conhecimento com os meus amigos. Quanto maior a conexão com eles, maior é o meu conhecimento”. Com um tom de discórdia, Casalegno falou que, “a noção de amizade e confiança é diferente em todo o mundo. Na França, por exemplo, dividir fotos e vídeos só acontece entre amigos íntimos. Lá não existe isso de ter 500 amigos no orkut ou facebook, como no Brasil”.

A blogueira Bia Kunze atesta: a rede móvel tomará o espaço da fixa.
Avaliando o momento atual, Nick Ellis falou em grandes mudanças no futuro. “Hoje está muito mais fácil progredirmos, pois a maioria da população brasileira tem celular e interage com outras mídias. Aposto em uma virada de página gigantesca. O Brasil está pronto para isso”.
Na opinião de Casalegno, a ideia da classe para a mobilidade é que ela consiga redesenhar o transporte público e os movimentos – seja ele físico, intelectual ou cognitivo. “É preciso aprofundar na pesquisa dia após dia. Precisamos saber qual é a melhor forma de as pessoas terem acesso fácil à informação”.
Sobre as ações realizadas pelo Instituto de Massachussets, o pesquisador fez questão de destacar um projeto encomendado pelo Governo da Itália, no qual impede os jovens de dirigirem bêbados. Nas casas noturnas, as pessoas realizam o teste do bafômetro e, caso o aparelho acuse um nível de teor alcoólico acima do permitido por lei, o sistema liga para um amigo da vítima e o premia (com milhagens e outros itens) caso ele aceite buscar o cidadão bêbado.
“É claro que todo mundo sabe quando já bebeu além da conta. Mas, as pessoas preferem que um aparelho diga isso a elas. Foi a maneira que encontramos de prevenir acidentes. A vida das pessoas também está ligada à tecnologia”.
Para o Brasil, ainda faltam opções de planos de dados acessíveis para o grosso da população que ainda se restringe ao modelo pré-pago para ligações e mensagens. No entanto, o país é um mercado emergente que chama cada vez mais a atenção para investimentos.
Talvez seja apenas uma questão de tempo para que todos os benefícios apontados pelos especialistas tomem conta por aqui e, como no exemplo italiano, o aparelho celular seja usado também como uma ferramenta para formar cidadãos.
Blogs, redes sociais e celebridades, uma união quase perfeita
29.01
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Na Campus Party de 2009 eu tive o prazer de moderar a palestra sobre “blogs e celebridades”, e o assunto principal foram as redes sociais. Na CParty 2010 a palestra passou a se chamar “blogs, redes sociais e celebridades”, e contou com um excelente upgrade, a moderação de Bia Granja da revista Pix. Os convidados foram Pedro Neschling, Rosana Hermann (que é autoridade no assunto e também estava na mesa do ano passado), Lele Siedschlag e Marimoon, que discutiram portais de blogs como o BlogLog e Portal MTV. Outra pauta do debate era a “invasão” do Twitter por celebridades e o contraponto com as “microcelebridades” que surgem em palcos alternativos como o próprio Twitter, YouTube e blogs.
Minha amiga Rosana Hermann acredita pessoa vira um “trending topic” no Twitter, e que assim como a mídia cria celebridades, também existem muitas celebridades na rede. Bia Granja diz que ser uma celebridade na rede é igual a ficar rico no banco imobiliário. A celebridade tradicional fica em evidência durante toda a sua vida, e a celebridade online pode ter um minuto de fama e ganhar vários followers, mas é algo momentâneo, e no dia seguinte ganhar os mesmos followers de um dia normal.
Citando o perfil falso de Jô Soares no Twitter que tem 210.000 seguidores e não e nem muito atualizado, Pedro Neschling disse que quanto mais seguidores ele tem, menos gosta deste fato. Bia Granja diz que muitas pessoas reclamam sobre o que você twitta, mas se esquecem de que você está twittando para você, e não para os seus seguidores.
Lele Siedschlag pergunta, se os seguidores da Twittess não são pessoas que a admiram, porque utilizá-la para fazer marketing? Será que as pessoas que seguem ela vão comprar as coisas que ela elogia? Rosana acha uma loucura ter números e não saber como analisá-los, chamando as pessoas que não sabem interpretar as coisas de preguiçosas. Ela cita como exemplo a lista de sugeridos do Twitter, uma pessoa entrava no primeiro dia não sabia o que fazer, e se a pessoa faz isso, a pessoa clica e adiciona. Mano Menezes, Luciano Huck estavam na lista de sugeridos, por isto têm tantos seguidores. Quem olha para estes números e não sabe analisar, desconhece o fato de que 80% dessas pessoas não falam português e não entendem o que eles escrevem.
Bia pergunta para os convidados qual o significado de na capa do Migre.me você só ver entre os mais linkados tweets com promoções ou escritos por celebridades. Lele diz que as pessoas querem o que as celebridades estão falando naquele momento. Para Rosana, quanto mais câmeras existirem, mais capturas e mais acessos acontecerão. As ex-BBBs hoje em dia têm a competição do YouTube e Twitter e portanto tem menos referência na Internet. Com a chegada destes serviços que estão mudando a cara da mídia surgirem, mais celebridades devem surgir, com seus 15 minutos de fama. As pessoas não leem mais revistas, e o Twitter surgiu a partir da necessidade, pois as pessoas só conseguem ler pílulas. A cada 10 segundos é preciso criar uma nova piada para dar o ritmo, e a impressão é que a única válvula de escape para uma coisa mais densa e profunda é o amor.
Na web 1.0 todos queriam abrir um site e ficar rico. Na web 2.0 o objetivo é se tornar uma webcelebridade. Lele diz que muita gente confunde fama com grana, e as duas coisas não andam juntas, na verdade isto é cada vez mais raro. Rosana diz que a motivação para ser um ex-BBB não é o sonho do dinheiro, é ganhar sem trabalhar, fazer presença e ganhar R$ 10.000, e quem não queria? Marymoon lembra que começaram a surgir na Internet pessoas bem sucedidas como profissão, e que se antigamente a graça era fazer amizade, hoje em dia existem muitas pessoas que estão nas mídias sociais o tempo inteiro com o objetivo de ganhar dinheiro. As pessoas criam um blog com o objetivo de ser famoso.
Para Pedro, nos últimos anos houve um boom de celebridades do mundo real na internet, e isto fez surgir uma grande parcela da imprensa que não existia, jornalistas que seguem celebridades atrás de notícias. Outras celebridades entraram na rede com objetivo de gerar notinha em sites especializados em fofocas. Muitas empresas estão percebendo que existe a possibilidade de aproveitar comercialmente os formadores de opinião, mas isto não tem relação com a questão de celebridades. Mas é preciso haver pessoas nas empresas e agências que entendam que o que vale não é o número de seguidores e sim a relevância deles.
Rosana lembra que nos anos 50, 60, 70, 80 e começo dos 90 você era o da poltrona, não podia ver o jornal de ontem, acessar o arquivo da emissora, você estava fora da rede, só existia a rede de vendedoras da Avon com 1 milhão de mulheres. O surgimento da internet comercial em meados de anos 90 só atingiu quem tinha grana e acesso, mas em hoje as pessoas perceberam seu poder e querem brincar de mídia, inventando que alguém famoso morreu para ver até onde isto chega, e que isto tudo não é ruim, é apenas uma experiência, que as pessoas estão fazendo com as mídias. Não existe um curso de internet, somos todos analfabetos funcionais online, aprendemos usando e compartilhando. Rosana acha que somos crianças na Internet, e criança aprende copiando o outro. O pessoal do Pânico foi encontrados no YouTube, menos o Zina, que foi achado na rua. A Band selecionou quem fazia improviso na web para o programa CQC.
Pedro diz que cria distância quando acha que tem que criar, quando alguém escreve um twitt com o único objetivo de irritar, ele ignoro e bloqueia, mas não ignoro quem tem algo a dizer. Marymoon passa 1 hora por dia no Twitter respondendo as pessoas, mas não consegue responder todas, pois quando está online recebe cerca de 50 perguntas por minuto. São pessoas que marcam de ir na MTV para tirar fotos, e ela encoraja esta aproximação fazendo um picnic Campus Party com os fãs. Ela passou por algo parecido quando encontrou o Tim Burton e chorou de emoção.
Para Rosana, muito mais importante do que se tornar uma celebridade online é saber que os leitores do seu blog a receberam muito bem em locais como Londres e Buenos Aires, e que estes fãs se tornaram parte da sua vida. Marymoon acredita que as únicas celebridades são as quem aparecem na revista Caras. Bia Granja finalizou dizendo que para ficar famoso online você precisa fazer algo muito tosco ou algo muito bom. Sou obrigado a concordar.
O Jardim Robótico
29.01
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Essas flores não morrem, mas podem queimar.
A atração mais colorida da Campus Party 2010 sem dúvida é o jardim robótico criado pela equipe de engenharia de controle e automação da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Sorocaba.
Aberto ao público, o jardim robótico não possui nem terra, nem água. Ele é construído com fios, minilâmpadas e flores de acrílico que emanam luzes de acordo com os estímulos que recebem.
Algumas delas mudam de cor com o movimento dos corpos. Sempre quando alguém se aproxima ou se afasta dessas flores suas luzes sofrem alteração na tonalidade. Outras, em formas de girassol, não seguem em direção ao astro rei, mas se viram em direção às luzes emitidas por uma lanterna.
Estima-se que cada vaso de flor robótica custe R$ 2.000. No entanto, há que se ressaltar que isso não é apenas uma brincadeira da ciência.
A tecnologia utilizada nas flores já é e pode ser transportada para outras inúmeras finalidades do cotidiano das pessoas. Criar sensores de luz e de movimentos para aparelhos eletrônicos, portas automáticas e até sistemas de segurança.
Abaixo, segue um vídeo para que o leitor possa apreciar as flores luminosas do maior evento de tecnologia do Brasil.
O pai do comércio on-line no Brasil é argentino
29.01
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Marcos Galperin vê mais espaço para o crescimento do comércio na web.
Não basta ser o site mais acessado no seu segmento na América Latina e no Brasil. O objetivo do argentino Marcos Galperín, o criador do Mercado Livre e um dos pioneiros do e-commerce, é crescer ainda mais. Em 10 anos, ele pretende atingir 100 milhões de usuários cadastrados. Hoje são 41 milhões deles.
Tudo não passava de um projeto de conclusão de curso (o tão temido TCC), que estava sendo desenvolvido em uma garagem em Stanford (EUA). Mas a vontade de receber o diploma era tão grande, que o projeto foi ficando cada vez mais sério. E foi o que aconteceu. “O Mercado Livre revolucionou o mercado do mesmo jeito que o Google e o Youtube”, analisa ele, sem modéstia, comparando a plataforma de comércio on-line com as de busca e vídeos mais acessadas do mundo.
Mas nem tudo são flores. De acordo com Marcos, alguns pontos ainda precisam ser melhorados. “Casa de ferreiro, espeto de pau. Ainda temos um gargalo constante na area de TI e programação”, entrega. Além disso, segundo ele, “seguir os concorrentes e tentar fazer marketing de massa quando a internet tinha penetração de 5% foi um grande erro nosso no passado”.
Para ele, ter foco no cliente é o principal segredo para o sucesso na web. Prova disto é a quantidade de funcionários: só no escritório central na região de Alphaville (SP), são 350. A meta da equipe é responder 80% dos 400 mil e-mails recebidos por mês em um período de 24 horas. E eles conseguem. Por isso, atualmente a empresa alcançou o valor de 2 bilhões de dólares na bolsa americana Nasdaq.
O Direito e a Internet
29.01
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A discussão das leis na internet só começou.
Antes eles serviam como diários onlines e espaços para trocas de opiniões entre amigos. Mas já há algum tempo, os blogs vem ganhando visibilidade e importância para o mundo real. Consequentemente, a dimensão dos comentários dos autores tem provocado reações negativas ( em alguns casos processos judiciais) para quem está do outro lado.
Aliás, essa já é uma discussão antiga (se levarmos em conta a noção de tempo da Internet) e que sempre levanta duas questões antagônicas: ao mesmo tempo que a censura é um instrumento reprovável e seu uso seria uma demonstração de absoluto retrocesso em plena era digital, também não é possível conviver com pessoas (no caso, os blogueiros) que tenham imunidade vitalícia para escrever deliberadamente aquilo que desejam e nunca poderão ser responsabilizados por seus equívocos.
Foi pensando no tema ‘Direito e a Internet’ que a Campus Party promoveu, no espaço Criatividade, um provocante debate entre blogueiros e profissionais de direito para entender o limite no ofício de blogar.
Para o moderador do encontro, o jornalista e professor de Comunicação Digital, Marcelo Trasel, a responsabilidade de cidadão deve ser mantida em ambos os casos – seja ela pessoa física ou jurídica -, mas muitas vezes isso é deixado de lado. “Tudo que atinge a esfera digital é mais perigoso, porque não tem volta. Fica registrado pra sempre”, diz ele.

O professor Marcelo Träsel defende a liberdade de expressão na web.
Marcelo deixou claro que, por mais que a atividade ainda seja considerada nova no país, os blogueiros devem lutar pela liberdade de expressão. “Quem acha que jornalista não sofre represálias está enganado. Mas, nem por isto eles deixam de lutar. E é isso que os blogueiros devem fazer”, opina Trasel, autor do blog trasel.com.br/blog.
Mas afinal, os meios de expressão na internet são espaços restritos? Para o advogado da área de internet e tecnologia Marcel Leonardi a questão vai muito além disso. “Falta conhecimento de técnicas jornalisticas. Pra mim, boa parte dos problemas judiciais acontecem por causa disso”, opina ele, dando como exemplo a utilização de imagens sem a autorização e acusação a terceiros sem prova.
O juiz de direito Jorge Araújo acha que a solução é criar associações que favoreçam os blogueiros. “Todo mundo precisa de um orgão de natureza sindical para garantir a sua defesa. Com essa classe não poderia ser diferente”, fala o autor do site direitoetrabalho.com. Nos EUA, por exemplo, já existe a Eletronic Frontier Foundation, instituição que reúne fundos monetários para defender causas que podem virar jurisprudência.
A advogada Flávia Penido tem a mesma opinião de Araújo, mas com uma ressalva: muitas vezes a censura é confundida com respeito ao próximo. “É preciso saber diferenciar o que é direito e o que é dever do blogueiro. Por mais que o texto seja o que ele ache, tem que ter cautela pois pode humilhar o outro”.
Em relação à falsificação e roubo de textos, Alessandro Martins, autor do blog queroterumblog, falou que em um primeiro momento é preciso entender o contexto do plágio. “Algumas vezes a pessoa realmente não agiu de má fé. No meu caso, em particular, eu ignoro até que aquilo me traga problemas relevantes”. O primeiro passo a fazer, na opinião dele, é mandar um e-mail para o ‘ladrão’ pedindo que o post seja excluído, mas se nada acontecer, tomar mesmo decisões judiciais.
Diferente do que acontece no Brasil, nos Estados Unidos um blogueiro só se torna responsável por um conteúdo se ele for notificado anteriormente e não tomar as providências cabíveis.


